Decorreu esta sexta-feira, dia 21 de maio, uma cerimónia de homenagem ao antigo pároco de São Sebastião e da quasi paróquia do Coração de Maria, padre Álvaro Teixeira. Foi homenageado pela Câmara Municipal de Setúbal com a atribuição do seu nome a uma rua localizada na Nova Azeda, nas imediações da Igreja do Coração de Maria.
Estiveram presentes a presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira e os irmãos do Padre Álvaro Teixeira, bem como o presidente da Assembleia Municipal de Setúbal, André Martins, o presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião, Nuno Costa e o pároco de São Sebastião e do Coração de Maria, o rev. Pe Casimiro Henriques.
O descerramento da placa toponímica perpetua a presença do padre Álvaro Teixeira entre nós e guarda para sempre o muito que fez por Setúbal.
A este propósito, recordamos um texto de António Alves Fernandes publicado no site Capeia Arraiana a 17 de outubro de 2016.
«Natural da freguesia de São Martinho, em Penafiel, Álvaro Magalhães Teixeira nasceu em Abril de 1941. Passou pelos Seminários do Porto, dos Carvalhos, de Fátima e Salamanca. Foi ordenado sacerdote em junho de 1967, seguindo pouco depois em missão para São Tomé e Príncipe, onde desempenhou funções como Capelão do Hospital Central, Professor de Religião e Moral no liceu, fundador das Conferências Vicentinas Juvenis e colaborador em programas radiofónicos de cariz religioso e desportivo.
Regressou a Portugal dois anos depois e foi a colaborar com o Capelão do Hospital de Santa Maria em Lisboa, formador do Seminário do Cacém, ligado aos Claretianos.
Seguiu para Roma, onde esteve dois anos, licenciando-se em teologia pastoral com pós-graduação em pedagogia pastoral. Em 1977 iniciou nova etapa em Setúbal, com o cargo de superior local.
Com as indicações do Bispo D. Manuel Martins, organizou os serviços da nova Diocese, sendo responsável pelos secretariados diocesanos de catequese, assistente dos Cursos de Cristandade e professor de teologia na Universidade Católica.
Em 1986 foi nomeado Pároco de São Sebastião em Setúbal, onde desde logo manifestou grande entusiasmo pela história, pelos costumes, pelas tradições, pela Festa de Nossa Senhora da Tróia, pelas vivências do povo, principalmente ligado à faina do mar. Publicava semanalmente uma Folha Paroquial e tinha na Rádio Azul um programa religioso.
Foi destacado para a Zona Pastoral Experimental do Coração de Maria, onde estava inserido o Bairro da Azeda de Cima, das periferias da cidade de Setúbal, onde os meus saudosos pais residiam e de uma forma ativa colaboravam: o meu pai ministro da comunhão, a minha mãe catequista.
Em 1997 partiu para Lubango em Angola onde foi orientador da Paróquia da Imaculada Conceição, com uma área de 800km2, vigário da Comunidade, delegado arquidiocesano para a comunicação social, diretor do Boletim Vozes de Lubango e orientador de um programa radiofónico de caráter religioso. Ministrou aulas de língua portuguesa a catequistas na Missão de Huíla e às alunas de uma Comunidade Religiosa.
Em junho de 2013 regressou de novo a Setúbal, pois tinha esta cidade no coração. Neste percurso pastoral setubalense, o Padre Teixeira teve uma especial predileção pela Diocese que o viu nascer, acompanhando o seu desenvolvimento e progressos. Não há dúvidas de que amou a Igreja e semeou muitos afetos (nunca esquecerei que nos contactos com as nossas mães, as tratava com as palavras «oh minhas santas!»). Qual era o filho que não gostaria de ouvir esta frase?
A outra grande vertente apostólica foi o Escutismo, e a este propósito escreveu «A JUVENTUDE TUDO MERECE DE BOM!».
O Padre Teixeira costumava dizer: «Ando há 41 anos com o lenço ao pescoço». Exerceu funções em seis agrupamentos e três associações escutistas. Foi co-fundador do Agrupamento 46 do CNE de Agualva – Cacém (Sintra). Esteve em Roma com a AGESCI (Associação de Guias e Escuteiros Católicos Italianos), na Paróquia de Santa Maria Alle Fornaci. Colaborou com o Agrupamento 541 do CNE, junto do Colégio Universitário Pio XII, participando em reuniões da Junta Regional de Lisboa, em que o então Assistente Regional da Capital é o atual Cardeal Patriarca de Lisboa. Foi Assistente do Agrupamento 59 do CNE de Setúbal, o mais antigo da Região e cofundador do Agrupamento 1117 do CNE, dos Escuteiros Marítimos. Colaborador da fundação da Associação dos Escuteiros de Angola, a fim de dar continuidade ao serviço do CNE, extinto com a independência. Assistente do Agrupamento da Paroquia da Imaculada Conceição e Assistente Regional do Lubango. Deslocação à África do Sul a pedido da Junta Central do CNE, representando-a em Mafeking, analisando assuntos internacionais da Associação.
No campo jornalístico, além de diretor do Jornal «Vozes de Lubango», conta com programas radiofónicos e durante muitos anos uma crónica semanal no trisemanário «O Setubalense», a última publicada, já internado no Hospital, sob o título «A Luz da Verdade – Festa de Nossa Senhora da Tróia – Fontes Históricas». Um texto com leitura obrigatória, com uma recolha histórica, de uma festa que remonta aos tempos de D. João II, com referência documentais dos anos 1482, 1502, 1707, 1758, 1853 1898, 1901, 1902, 1929, 1945 e 1947. Esta é ainda a grande Festa dos Pescadores da cidade de Setúbal, que inclui uma procissão marítima.
É necessário que estes HOMENS, que dedicaram uma vida ao serviço dos outros, da valorização humana, social e da fé, não fiquem nos caminhos do esquecimento.
Este HOMEM, missionário, professor, dinamizador, jornalista, escritor, escuteiro, teve meio século de dedicação e missão ao serviço da Igreja e ao serviço da Sociedade.
Neste Ano Jubilar, o Padre Álvaro de Magalhães Teixeira, Missionário do Coração de Maria, soube por experiência própria que «o Evangelho do perdão e da misericórdia pode levar alegria e reconciliação, justiça e paz».
D. José Ornelas Carvalho SCJ, Bispo de Setúbal, também Missionário, na Eucaristia da Vigília Exequial, numa homília muito significativa, salientou as qualidades, os caminhos de dedicação, missão e ação evangelizadora do Padre Álvaro Teixeira, terminou com este texto de gratidão:
«Obrigado, caro Padre Álvaro Teixeira, pelo muito que nos deste e que nós conservamos. Obrigado pela vida que Deus te concedeu e por teres escutado o seu chamamento e teres colocado ao serviço do seu Reino. Obrigado por teres deixado a tua família e a tua terra e teres tomado o caminho dos mais distantes de outras terras e culturas, ao serviço do Evangelho. Obrigado pelo dom que foste para esta terra e esta Igreja de Setúbal. Obrigado pelas palavras que anunciaste, pelas feridas que curastes, pela reconciliação que atuaste, pelas bênçãos que multiplicaste. Obrigado por seres sido para nós bênção amiga e misericordiosa de Deus. Que Ele te receba nos seus braços, como Bom Pastor que tu seguiste e te mostre para sempre o Seu Rosto Carinhoso, na plenitude da vida que não acaba.»
Na tarde do dia 11 de outubro desceu à terra, no Cemitério de Nossa Senhora da Piedade, no coração da cidade de Setúbal, e bem junto da Igreja da Paróquia de São Sebastião e da Residência da Comunidade dos Missionários do Coração de Maria.»
Este texto representa um pequeno exercício de memória e como escreveu Fernando Pessoa, ‘a memória é a consciência inserida no tempo’.»
Não o esqueçamos, pois.




