Decorreu no sábado, dia 31 de outubro, memória de Nossa Senhora das Vitórias, a cerimónia presidida pelo senhor Bispo de Setúbal, D. José Ornelas, de Consagração do Altar e Dedicação da Igreja do Coração de Maria. Volvidos 60 anos após os primeiros passos que deram origem a esta comunidade, na Azeda, concretizou-se a obra por muitos sonhada, ambicionada e Setúbal tem, assim, mais um espaço físico para anunciar a palavra de Deus.
Na presença de várias entidades e convidados, entre eles a presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, vereadores, presidentes das juntas de freguesia da cidade, os autores do projeto de arquitetura, arquitetos Miguel e Inês Vieira da Silva, e o representante da empresa construtora Colicapela, o sr. Constantino Alves, e outros representantes que de alguma forma colaboraram na concretização do projeto desta Igreja, D. José Ornelas lembrou alguns dos passos dados para se chegar a este momento.
Sempre sonhei com o dia em que algo maior ia acontecer. E hoje aconteceu
«Hoje é um dia muito bonito e o Senhor até nos presentou com um dia luminoso, cheio de sol. Um dia assim também nos convida a regressar a casa e a esta casa nova, uma casa que cheira a novo e a um novo construir. Quando cheguei a Setúbal, uma das primeiras saídas que tive foi junto desta comunidade, ali à escolinha. E sempre sonhei com o dia em que algo maior ia acontecer. E hoje aconteceu. Ainda não é tudo mas é um bom princípio e bonito», sublinhou o Bispo de Setúbal, não escondendo a importância do ato a que presidiu: «Este é um dia importante para esta comunidade, a quem dou os parabéns por estarmos aqui a festejar juntos com a presença do Senhor no meio de nós. Mas é um dia também para a cidade. No meio desta cidade nova e muito perto de bairros tradicionais, plantar um sinal destes é uma inspiração para todos nós. Um sinal de que queremos encontrar caminhos novos, numa zona que está a desenvolver-se com atividades comerciais, industriais e plantar este sinal é muito bom e queremos que seja um ponto de referência para a cidade.»
Após a bênção e ainda antes da Dedicação do Altar, D. José Ornelas desejou que «a comunidade continue a crescer» de forma a que «dentro em breve esta casa, que agora é nova, possa ser pequena para acolher todos os que a Ele se quiserem juntar». Lembrou, ainda, que «Deus não deve ficar fechado dentro» das quatro paredes. A Igreja do Coração de Maria e a sua Paróquia será, por isso, uma Igreja de portas abertas com o intuito de chegar «cada vez mais longe».




Antes de encerrar a cerimónia oficial, o padre Casimiro Henriques, pároco desta comunidade, apresentou longa lista de agradecimentos dirigidos a todos quantos colaboraram para erguer a nova casa do Senhor, historiando o processo desde o início até se chegar a este dia: «A história desta comunidade começa nos anos 60 quando o padre António Monteiro, cmf, aqui sonhou construir uma Igreja. Não uma igreja de pedra, mas uma igreja de homens e mulheres. 60 anos nos separam desse momento. Com o padre Álvaro Teixeira em 1995 a comunidade dá um novo passo com a sua constituição em Quasi-Paróquia. O padre Álvaro sempre sonhou construir um templo da Igreja e são muitos os projetos que a sua vontade e o seu sonho realizou e que nós guardamos no nosso arquivo. Infelizmente não passaram disso, de papéis em arquivo. Mas muito fez para que aqui estivéssemos, porque as diligências foram muitas junto da CMS para ceder e oferecer um terreno. Este terreno no qual nos encontramos foi totalmente oferecido pelo Município.»
O padre Casimiro enumerou, praticamente um a um, quem se dedicou à obra, desde a presidente do Município, aos vereadores, presidentes das juntas de Freguesia de São Sebastião e União das Juntas de Freguesia de Setúbal, engenheiros e arquitetos, ao responsável da empresa Colicapela, construtura que edificou a Igreja do Coração de Maria. «Para aqui estarmos houve muito trabalho invisível, muito trabalho que não será dito, muitas pessoas que não serão reconhecidas, muitos momentos de canseira que certamente vamos esquecer, porque a alegria faz apagar», lembrou o padre Casimiro, recordando as palavras do bispo D. José: «Dou graças ao Senhor por há três anos o sr. Bispo me ter dito para fazer alguma coisa na Azeda. Está feito.»
Mas esta é uma obra da comunidade e para a comunidade: «Esta Igreja excede os esforços de uma comunidade. Só foi possível porque Deus esteve aqui, porque Ele está aqui. Ainda falta muita coisa. Mas esta Igreja não seria possível se durante 60 anos não houvesse homens e mulheres que sonhassem e não desistissem. Muitos já não estão cá. Estarão no Céu a rezar e a fazer festa connosco. A comunidade é feita disto, dos que passaram, dos que aqui estão e dos que virão a seguir.»
Que o bom Deus, a todos aqueles que aqui vierem rezar, conceda a paz, o aconchego e o sossego nos Seus braços.
E terminou o padre Casimiro com uma mensagem carregada de sentimento. «A primeira pedra desta Igreja foi lançada no dia de Reis, a 6 de janeiro. Aqui fizemos uma celebração e lá no fundo, junto do pilar, está uma imagem dos Reis Magos. Mal sabia eu que a primeira missa celebrada aqui dentro, por causa das chuvas de outono, seria no dia 4 de outubro, dia de São Francisco de Assis, aquele que inventou a montagem do presépio para servir de elemento de oração. Gosto de chamar a este lugar de ‘o meu estábulo’ precisamente em memória desse lugar talvez de madeira em que nosso Senhor nasceu e repousou nos primeiros instantes ou dias da semana. Esta Igreja aparentemente é frágil, é passageira, mas afinal de contas o que somos nós senão homens e mulheres frágeis e passageiros. Houve tantas igrejas de pedra, bem construídas, aparentemente sólidas que já não estão cá, que já desapareceram. Devemos, por isso, perceber na profundidade as palavras de nosso senhor Jesus Cristo: ‘Não tenho aqui morada permanente’. Esta Igreja deve lembrar-nos isso, não temos aqui morada permanente, mas ao mesmo tempo é um lugar de consciência. Se não se chamasse Igreja do Coração de Maria gostava de a ter dedicado à ermida do silêncio ou então do aconchego. Como alguém disse num comentário através do Facebook ‘parece o sótão da avó’. Que bela imagem, o sótão da avó é o lugar onde nos contam histórias, é o lugar onde nos refugiamos, onde encontramos sossego. Que o bom Deus, a todos aqueles que aqui vierem rezar, conceda isso: A paz, o aconchego e o sossego nos Seus braços.»
O dia 1 de novembro, dia de Todos os Santos, foi, depois, o primeiro em que se celebrou missa com o altar consagrado perante uma comunidade que começa a crescer e a dar frutos.

















